segunda-feira, 4 de maio de 2009

Silêncios

As linhas nas minhas mãos

são pergaminhos

que não sei ler.

Um dia foram tomando meu corpo todo e me tornando subitamente um grande silêncio misterioso.

São cortes alongados

sulcos

riscos que me sufocam e limiam buracos que se extendem até a ponta dos pés.

Sou traços

(pedaços)

de uma grande história silenciosa.

(Meus próprios soluços transbordam sem que eu mesma os ouça)

Solitários no meio deste nada que sou,

meus olhos são duas pedras opacas

que navegam neste mundo tão inundado por pares de pedras opacas.

Sou um sumidouro de ilusões

(um depósito de grandes solidões e paixões atormentadas)

Um poço

cheio de lodo

folhas molhadas

e insetos mortos.

Eu sou um buraco, ou qualquer outra coisa igualmente silenciosa.

Estes caminhos nas minhas mãos são escuros e solitários.

São caminhos que percorro descalça, com meu corpo tão miseravelmente cheio de nada.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Pois tudo que se conhece já não mais existe,ou não faz sentido.O passado, o futuro, apenas sonhos, que nos deliciamos e nós vedamos para o silêncio do não ser alguem, mas ser tudo.

    Quando a vida se ilumina "nada" toma-se outro sentido,
    O nada a espera do presente momento.
    lindo, místico, misterioso.

    Quem me dera fizesse sentido palavras,
    seria tão fácil de se comunicar.
    Onde esta o sonho coletivo, porque tanto individualismo?Porque paramos de acreditar em mitos?
    Enquanto todos fragmentos não se decodifiquem,
    nada valerá a pena compartilhar.
    Então me diz, de que vale?

    ResponderExcluir